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Você está pronto para as organizações do futuro?

29 de janeiro de 2018 | Por Varejo Inteligente | Varejo | Nenhum Comentário

Não acredito que nos transformaremos em milhares de googles repletos de ambientes bem decorados e com dezenas de salas para relaxamento e descompressão.

Acredito, sim, que nossas organizações serão representadas no futuro por um “T” invertido. Um “T” de cabeça para baixo, assim como as empresas atuais são representadas por um triângulo ou pirâmide.

Não teremos mais um exército de pessoas distribuídas hierarquicamente, mas sim um grande contingente na base, guiados por um número bem reduzido de pessoas e algoritmos de inteligência artificial.

Acompanhe o raciocínio.

Há muito tempo representamos nossas empresas por um desenho esquemático de um triângulo, com a base embaixo, e, em cima, o vértice. Significa que no topo há a diretoria, o CEO, ou o líder, seguido de um número crescente de pessoas, até chegarmos ao grande contingente que executa as operações e materializa o negócio.

Já o “T” invertido obtém-se fazendo um traço desde o vértice, neste suposto triângulo de uma organização hierárquica, até sua base.

Façamos este risco do topo à base do triângulo e logo veremos o ‘T” invertido, um “T” de cabeça para baixo.

É assim que vejo as empresas no futuro.

Ocorre, que nas organizações atuais as laterais deste triângulo imaginário, ou seja, a direita e a esquerda do traço desenhado, do topo à base, desaparecerão no futuro.

Na minha concepção, estas laterais do triângulo imaginário representam funções que existem SOMENTE para fazer com que as atividades na base aconteçam. São estruturas organizacionais criadas para analisar, orientar, acompanhar, controlar, auditar etc a execução das operações. Estas estruturas não tem valor em si, existem somente para fazer com que a base execute o que precisa ser feito.

O que acontecerá com estas atividades?

Estas atividades deixarão de existir com o surgimento, em massa, de algoritmos baseados em machine learning e deep learning. O que acontece na base será, cada vez mais, controlado, monitorado, observado por câmeras, sensores, alarmes, dispositivos móveis e uma infinidade de recursos IOT.

Estas estruturas de monitoramento reportarão dados do que acontece na operação para algoritmos de machine learning que devolverão orientações precisas de execução e de como as coisas devem ser feitas.

Neste contexto, a base, a execução e as operações reportam informação e recebem orientação precisa e imediata, sem que haja qualquer interferência humana.

Então, em nosso “T” invertido, teremos, como hoje, uma estratégia definida no topo da organização.

Esta estratégia será implementada, na forma de regras de negócio, por algoritmos construídos para alcançar os objetivos de forma implacável, capazes de reorganizar, em tempo real, recursos, materiais e humanos, na base da operação a partir das informações recebidas.

Creio que desaparecerão centenas de atividades relacionadas a supervisão e auditoria. Qualquer função que constitua-se em analisar um determinado contexto ou situação e determinar uma ação corretiva desaparecerá. Todas estas atividades serão, facilmente, substituídas por algoritmos. Os algoritmos são mais rápidos, mais precisos e, no que todos acreditam, menos geniosos e imunes ao calor das emoções.

O mais incrível é que já se formam legiões de pessoas habituadas e, absolutamente, confortáveis em seguir orientações determinadas por aplicativos. Cresce o número de pessoas com suas vidas pautadas por algoritmos. Já é natural uma vida conduzida por softwares. Vai desde o comportamento compulsivo de consulta no google à insegurança de alguns em conduzir seus veículos sem o waze ou qualquer outro dispositivo de mapas. Imagine, se já há milhares de pessoas atentas a próxima orientação do seu smartphone para respirar, como será natural e fácil a aceitação de orientações de um algoritmo…

Vejamos a UBER, esta empresa já é, ao meu ver, um modelo de organização em “T” invertido. Há uma grande base de executores com um número irrelevante de pessoas necessárias para organizar todas as atividades. A base, formada por motoristas e clientes, reporta informação e recebe orientação de uma máquina.

Assim, neste novo mundo pense em ter uma organização ou algoritmo. Fora destas opções resta somente aguardar o próximo push no seu smartphone dizendo-lhe o que fazer. Neste caso, não esqueça de deixar seu smartphone sempre ligado para evitar ser desligado.

João Stringhini
Empresário, Psicólogo, Mestre em Marketing e Gestão Estratégica pela UCES de Buenos Aires e Pós-Graduado em Marketing pela PUC-RS. Experiência de 20 anos em Consultoria de Marketing. Professor da ESPM desde 2003, é sócio-diretor da Stringhini – Varejo Inteligente, consultoria especializada em marketing do varejo, com forte uso de tecnologia.