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Hubots e o futuro do varejo.

17 de setembro de 2019 | Por Varejo Inteligente | Varejo | Nenhum Comentário

Os robots humanoides da literatura nos causam estranheza e apreensão. O mundo imaginado por Isaac Asimov, autor de “Eu Robô”, e Philip K. Dick, autor de “O caçador de androides”, que inspirou o filme “Blade Runner”, apresenta uma realidade que sempre nos pareceu um tanto fantasiosa e distante. Vemos o nosso dia-a-dia e acreditamos que levarão muitos anos até que nossas vidas tenham centenas de robots circulando ao nosso redor. Alguns creem que até não estarão aqui para ver. Pensar assim pode ser um engano.

Não entendemos o que a literatura estava nos anunciando. A proliferação de máquinas e robozinhos andando pelas cidades foi apenas uma alegoria da arte para falar do que viveremos em muito breve. Haverá uma forte transformação de nossas vidas que não será pela invasão de seres metálicos circulando pelas cidades, mas pela chegada de uma nova espécie de humanos. Esta nova espécie levará a uma súbita substituição dos padrões de comportamento. Nossas vidas serão invadidas pelos Hubots que a literatura soube descrever, mas que não demos a devida atenção.

O Hubot é o contrário do robot humanoide, é o humano robóide. A expressão é a mistura de humano com robot. O Hubot é o indivíduo que nasceu a partir de 29 de junho de 2007, marcado pelo lançamento do iPhone, e viveu desde o nascimento imerso em um mar de dispositivos tecnológicos. O Hubot representa a nova matriz da nossa sociedade. Os sentimentos de estranheza, surpresa e distanciamento imaginados no trato com um robot serão muito próximos dos sentimentos que teremos com os Hubots, se não nos prepararmos.

Assim, quando ficamos surpresos com robots falando e simulando o comportamento de seres humanos, quando imaginamos o mundo povoado de máquinas e fazemos afirmações do quanto estaremos interagindo mais com máquinas do que com pessoas, é porque prestamos atenção nas coisas erradas. Estamos nos comportando de maneira bastante ingênua em relação ao que realmente está acontecendo. Estamos obnubilados pelas maravilhas da tecnologia e deixando de olhar para o seu impacto sobre as pessoas.

Creio que deveríamos olhar para o lado e para baixo e prestar muita atenção na criança que estamos carregando pela mão. Deveríamos deixar as atividades do escritório de lado, reduzir a participação em feiras de tecnologia, postergar a próxima missão para o vale do silício, deixar de lado o china retail experience e recusar o próximo pitch day do novo lab, que já não me lembro o nome, para irmos a escola de nossos filhos e ver o que e como estão fazendo no intervalo das aulas. Talvez a escola seja o melhor retail lab que possamos visitar e, o que é melhor, já está pago.

O Hubot demanda uma reflexão bastante séria sobre o futuro dos nossos negócios.  Não estou querendo dizer que somos robots, que as crianças que circulam por ai sejam, pois seria uma visão um tanto infantil, fruto da ausência de subjetividade. Pensarmos no Hubot exige mais responsabilidades do que estarmos alerta a novas tecnologias, antecipar-se aos concorrentes na identificação da mais nova startup ou de tentar encontrar o unicórnio do momento. Todas estas discussões são instigantes, mas podem estar nos tirar a atenção daquilo que deveríamos estar olhando. As tecnologias só fazem sentido se fizerem sentido para as pessoas.

O que você está fazendo para entender este consumidor? Somos e sempre seremos a única geração de profissionais que terá a chance de se preparar para a chegada dos Hubots antes deles dominarem o mercado de consumo.


 

Referências

  • Asimov, Isaac – Los Robots del Amanecer, Ed. Debolsillo, 1987, Barcelona.
  • Dick, Philip K. – Minority Report a Nova Lei, Record, 2002, São Paulo.
  • Dick, Philip K. – O caçador de androides, Ed. Rocco, 2007, São Paulo
  • org.br
  • Morace, Franscesco – Consumo Autoral – Os novos núcleos geracionais, Ed. Estação das Letras e Cores, 2018, São Paulo.

 


12038326_10204872262354895_4965560935921014362_n          João Stringhini

Empresário, Palestrante, Conselheiro de Empresas, Psicólogo, Mestre em Marketing e Gestão Estratégica pela UCES de Buenos Aires e Pós-Graduado em Marketing pela PUC-RS. Experiência de 20 anos em Consultoria de Marketing. Professor da ESPM desde 2003, é sócio-diretor da Stringhini – Varejo Inteligente, consultoria especializada em marketing do varejo, com forte uso de tecnologia.

A Stringhini – Varejo Inteligente foi a primeira empresa brasileira a ter uma education session na NACS (National Association Convenience Stores) nos EUA, com um case certificado de Gerenciamento por Categorias.

A Stringhini atende clientes como Ipiranga, FEMSA, Lojas Americanas, Postos Marcela, Heineken, Lojas Lebes, Lojas Renner, AMBEV, Concha Y Toro, ThyssenKrupp, Ferragem Thony, TIGRE, Grendene etc.